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quarta-feira, 6 de junho de 2012

sábado, 22 de março de 2008

Convenção 158 da OIT - Estupidez Infinita



Estupidez infinita


por João Luiz Mauad em 17 de março de 2008

Resumo: O Brasil já tem uma das legislações trabalhistas mais anacrônicas e contraproducentes, cuja profusão de “direitos” e privilégios concedidos aos trabalhadores engessa as relações e os contratos, mas isso poderá piorar.



“A sabedoria é sempre limitada, mas a estupidez é infinita”. A frase é atribuída a Einstein, Hubbard, Roberto Campos e Nelson Rodrigues. De fato, qualquer um deles poderia perfeitamente tê-la dito. É uma verdade tão evidente, especialmente aqui em Pindorama, que deveria ser colocada à vista de todos, no plenário do Congresso Nacional, para que os representantes do povo jamais se esquecessem disso.

Malgrado tenhamos uma das legislações trabalhistas mais anacrônicas e contraproducentes do universo, cuja profusão de “direitos” e privilégios concedidos aos trabalhadores – com o intuito de defendê-los dos abomináveis e gananciosos patrões – engessa de tal forma as relações e os contratos, que acaba prejudicando ambas as partes, porém principalmente os primeiros, e mais especificamente aqueles que se encontram fora do mercado. Como tudo neste país de faz-de-conta, o mérito e a livre escolha são substituídos pelo paternalismo e o assistencialismo.

Em meio a uma intensa campanha da sociedade, em prol de reformas trabalhistas que desonerem as relações e tornem mais simples os procedimentos, o presidente Luiz Inácio da Silva, num gesto de agrado à República Sindicalista, enviou mensagem ao Congresso Nacional, em 15 de fevereiro último, propondo a ratificação pelo Brasil da Convenção nº 158 da Organização Internacional do Trabalho. Aprovada em 1982 e até hoje ratificada por apenas trinta e poucos dos 180 países participantes da organização (não por acaso, na sua maioria, subdesenvolvidos, como, por exemplo, Camarões, República do Congo, Etiópia, Gabão, Iêmen, Lesoto, Malauí, Macedônia, Marrocos, Moldávia, Montenegro, Namíbia, Nigéria, Papua-Nova Guiné, República Centro Africana, Santa Lúcia, Sérvia, Ucrânia, Uganda, Venezuela e Zâmbia). Entre os desenvolvidos, apenas cinco europeus – Espanha, Finlândia, França, Portugal e Suécia – e mais a Austrália.

A Convenção 158 da OIT prevê que a empresa ficará obrigada a explicar ao funcionário, inclusive por escrito, as razões de sua demissão. Caso discorde da decisão, este poderá recorrer à justiça, cabendo ao judiciário trabalhista considerar sobre as alegações do empregador e, se for o caso, reintegrar o empregado demitido. Segundo informações da imprensa, nos países que adotaram tal estrovenga, o processo de desligamento de um funcionário pode levar até 12 meses.

De acordo com a indigitada Convenção, fora os critérios de “justa causa”, um empregado só poderá ser desligado por motivos de dificuldade econômica da empresa, mudança tecnológica ou ineficiência comprovada. O documento estabelece ainda algumas causas que não podem ser consideradas: atuação sindical, discriminação por raça, religião, opinião, estado civil ou gravidez. Lindo, não? Só que absolutamente desnecessária, pois a lei trabalhista brasileira já proíbe a demissão em qualquer dos casos listados, bem como veda que uma empresa, por exemplo, demita um empregado por tê-la processado.

Os sindicatos peleguistas estão em festa. Alegam que a ratificação será o primeiro passo para o fim da “alta rotatividade” e do “arrocho salarial”. Bullshit! Já há na lei tupiniquim incentivos muito mais fortes contra a demissão imotivada, como o aviso prévio e a multa rescisória de 50% do saldo do FGTS. Na prática, não muda nada. Nenhuma empresa demite funcionários senão por justa causa ou por uma das três justificativas previstas na própria Convenção. O trabalhador que é competente, honesto e produtivo não corre qualquer risco de demissão, pois o empregado é a alma da empresa. Esta não sobrevive sem aquele.

O trabalho é um insumo como outro qualquer. Hoje, o governo quer autorizar quem eu posso ou não demitir. Analogamente – e aplicando critérios de isonomia – fico imaginando o dia em que um fornecedor resolva recorrer à justiça para manter-me como cliente, uma vez que não concorda com as minhas razões para não mais adquirir os seus produtos, já que, do seu ponto de vista, “sempre serviu-me com presteza e qualidade”. Da mesma forma, prevejo que, no futuro, algum banco que porventura preste bons serviços (dentro da sua própria óptica, claro!), provavelmente vai lutar para evitar que eu leve a minha conta corrente para um concorrente. Meus direitos de propriedade e liberdade para transacionar com quem eu bem entenda não valerão mais nada.

Do ponto de vista prático, como vimos acima, se tal disparate for ratificado pelo Congresso, os benefícios aos empregados serão ínfimos. Porém, as conseqüências para o empresário brasileiro serão enormes. A burocracia de uma simples demissão será longa e complexa (muito mais do que já é). Isso encarecerá o trabalho e reduzirá a capacidade de a empresa adequar seu quadro de pessoal às reais necessidades, com a devida agilidade, o que afetará a produtividade e a competitividade. No mundo globalizado de hoje, em que as empresas precisam competir por mercados mundo afora, muitas vezes brigando com concorrentes localizados em países onde a flexibilidade da legislação trabalhista é imensa e a burocracia reduzida, a aprovação dessa lei é imbecil, para dizer o mínimo.

O Brasil já tem hoje mais de dois milhões de ações trabalhistas, em média, por ano. É um absurdo total! Só para se ter uma idéia, os Estados Unidos têm cerca de 75 mil apenas. Agora, imaginem a confusão que não irá instalar-se na já entulhada Justiça Trabalhista, se uma idiotice dessas for aprovada.

Some a isso tudo os problemas acessórios que tal estrupício acarretaria. De cara, a obrigatoriedade de se declarar – publicamente – eventuais dificuldades econômicas para justificar demissões seria uma. Toda empresa enfrenta dificuldades, na maioria das vezes passageiras. Demite funcionários e, mais tarde, recuperada, volta a admitir. No entanto, quando a exposição desses problemas torna-se pública, a situação tende a agravar-se. Ao admitir sua fragilidade financeira, a reputação da empresa é afetada, sua imagem deteriora-se, ela perde a confiança dos bancos, dos fornecedores e até mesmo dos clientes. Um problema circunstancial pode transformar-se em estrutural, podendo levá-la à bancarrota, prejudicando também os trabalhadores que não seriam demitidos num primeiro momento.

Como aperitivo do que ainda está por vir, assistimos recentemente à aprovação, pelo Congresso, de uma outra lei trabalhista não menos esdrúxula. De agora em diante, a empresa não pode requerer experiência profissional superior a seis meses. Não é lindo? Será que os preclaros deputados e senadores acham que tal lei tem alguma chance de “pegar”? É evidente, para qualquer ser pensante com mais de dois neurônios, que o único efeito prático deste despautério legal será encarecer os custos de contratação, além de tornar o processo muito mais difícil para ambas as partes envolvidas. Imagine, só para começar, a quantas entrevistas inúteis um candidato sem experiência terá que comparecer, simplesmente porque o contratante estará impedido de dar publicidade às suas reais necessidades? Ou alguém, em sã consciência, acha que a empresa vai realmente abrir mão da experiência?

Enfim, esperar bom senso dos nossos políticos é como sonho de uma noite de verão. Só nos resta, então, torcer para que o rent-seeking dos sindicatos patronais seja mais farto e eficiente do que o dos sindicatos laborais – jamais pensei que um dia eu chegaria a esse ponto!



O autor é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.



domingo, 14 de outubro de 2007

Analfabeto político - Bertold Brecht

Este é o infeliz retrato da maioria da população brasileira, arrogante e ignorante, e que por isso bem merece ser pisoteada e humilhada pela canalha que tomou conta do poder e da política.


GermanoCWB


O Analfabeto Político
Bertolt Brecht

 O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.


Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.


Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

É proibido reprovar, professora!

Opinião: É proibido reprovar, professora!JB Online: http://jb.com.br
Ubiratan Iorio, economista

Os professores da rede municipal desta cidade que já foi maravilhosa, doravante, não poderão mais reprovar os seus alunos! E, além da avaliação I (insuficiente), está também suprimido o conceito O (ótimo), pois, ao que parece, a Secretaria de Educação deseja evitar que se cristalize uma "elite" (palavra politicamente condenada), formada pelos melhores alunos...É o que reza a Resolução SME 946/2007, que dispõe sobre a avaliação escolar, publicada no Diário Oficial de 27 de abril. Este novo mandamento dos pedagogos de gabinete parece voltado, primeiro, a conter a evasão escolar que, segundo suas mentes privilegiadas, tende a aumentar com o "trauma" provocado pelas reprovações; segundo, claramente, a maquiar as estatísticas; terceiro, a segurar os alunos nas escolas, para que não fiquem perambulando pelas ruas à mercê do crime, já que seus responsáveis são irresponsáveis; e, finalmente, a dar o tiro de misericórdia na classe de privilegiados malvados formada pelos que exercem a missão de ensinar.


Sim, privilegiados, porque nossos professores e professoras da rede municipal, a exemplo de seus colegas da rede estadual, ganham uma fortuna, trabalham poucas horas - o que os livra da canseira de terem de fazer a chamada "dupla regência" e de lecionar em mais de um colégio - dispõem de todos os equipamentos que a moderna tecnologia de ensino oferece, atuam em escolas em cujas cercanias nem de longe há risco de eclodirem tiroteios, são respeitados pelos educados discípulos, valorizados pela importância de sua profissão, têm todos os incentivos para se aperfeiçoarem em novos cursos e todas as motivações para permanecerem no magistério... E malvados, porque se comprazem em reprovar alunos e alunas dedicados, interessados e que buscam sempre aprender... Managgia!


Será que nossas professoras não sabem que reprovar um aluno que mata aulas e que não estuda é um crime contra a "inclusão social"? E que têm por obrigação substituir muitos pais e mães ausentes, que depositam filhos no mundo sem se preocuparem em cuidar deles?


Será possível que nossos mestres desconheçam que sua principal função não é ensinar, impor-se pelo saber e pelo respeito, mas evitar que seus alunos descambem para as estradas do tráfico e da marginalidade? Que, ao invés de ensinarem matemática, devem incentivar o uso de preservativos para os alunos? Que, em vez de ensinarem a ler, escrever e interpretar o português, sua obrigação é despertar "consciências ecológicas"? Que devem evitar lecionar a história como ela se deu e forjar-lhe o determinismo marxista, para formarem "engajados"? Ensinar a velha geografia? Não, o que importa é a "educação sexual"... Ciências? Ora, o relevante é a "consciência cidadã"...


O decreto que proíbe as professoras de reprovarem é, ao mesmo tempo, um acinte a quem preza a educação, uma absoluta falta de respeito para com o professorado e uma demonstração de como a politização da educação - tão defendida pela esquerda - reflete-se na degradação de algo que já vem sendo sucessivamente degradado, tanto pelos governos como pela arrogância dos pedagogos.


Comparar tal medida com o que acontece em países desenvolvidos, como fez o prefeito do Rio, é como confundir focinhos de porcos com tomadas, pois as condições culturais, econômicas, sociais e éticas dos alunos, bem como as condições de trabalho dos professores, são muito diferentes. A famosa "Mãe Joana" - tudo o indica - fixou residência definitivamente "neste país" infeliz, presidido por alguém que, de educação, entende tanto quanto os mosquitos da dengue de Física Quântica.


Aos professores do Rio, heróis mais uma vez desautorizados e humilhados, minha solidariedade. E um humilde conselho: não fiquem calados diante de tanta falta de respeito: chamem os pais de seus alunos e perguntem a eles se é isto o que desejam para os seus filhos! Se for, lavem as mãos e aprovem todos, pois o futuro os reprovará com um baita zero!

segunda-feira, 30 de abril de 2007

A 'Revolução Prudente' de Lula

Quando eu falo, cansativamente, em 'autonomia local', em 'regionalização', em 'características locais' e em 'descentralização', sempre ouço os mais inacreditáveis argumentos para dizer que isso não funciona e que não serve para o Brasil. Algumas vezes as pessoas são até bastante agressivas.

Pois bem: aí está o texto 'Competitividade' do jornal argentino La Nación, que assim como outros textos que já publiquei aqui, também afirma que o governo deve parar com a utopia de planos nacionais e deve se concentrar em planos regionais para obter um verdadeiro crescimento. Essa é a conclusão dos empresários brasileiros reunidos na CNI, mostrando que está ficando cada vez mais claro que o centralismo é a principal mazela do país, e o principal causador da morosidade do nosso crescimento.

Quer dizer, os caminhos para o crescimento do país e a redução das desigualdades estão aí, conhecidos e solicitados: descentralização, maior autonomia local, planos regionais. É só aprender com quem já acertou!

E quem já acertou? Bem, só TODOS os países que nós chamamos, desdenhosamente (para esconder a inveja), de 'primeiro mundo'.

GermanoCWB

A matéria abaixo foi exraída da 'Folha Dinheiro'

30/04/2007 - 08h14

"Revolução prudente" de Lula cria potência econômica, diz jornal


da BBC Brasil


Uma "revolução prudente" liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo nascer uma "potência econômica" do Brasil, afirma matéria publicada nesta segunda-feira no jornal italiano La Repubblica.


"Aquele líder barbudo que por muitos anos foi o espantalho do grande capital acabou se tornando o presidente do Brasil que agrada o mundo das finanças e da indústria", diz o texto.


"As empresas crescem, o mercado interno se desenvolve e também os capitalistas."


Em tom positivo, o artigo nota que "o Brasil mantém sua posição de guia do continente, maior exportador regional, e economia mais industrializada capaz de produzir fenômenos empreendedores notáveis".


"Famílias novas e tradicionais consolidam seus poder e se expandem para o exterior", diz o Repubblica, citando empresários como Roger Agnelli, que encabeça a Companhia Vale do Rio Doce, os banqueiros Joseph e Moise Safra, o governador do MS e plantador de soja, Blairo Maggi, e os irmãos Constantino, da Gol.


No entanto, a matéria ressalva que "a transição para uma economia capitalista moderna permanece incompleta', porque ainda falta resolver 'o problema da forte desigualdade".


"O país mantém as contradições de sempre, com um desenvolvimento econômico que não reduz as desigualdades e a incapacidade, nos últimos vinte anos, de criar um novo modelo de industrialização."


Competitividade


O diário argentino La Nación traz uma matéria em que descreve o debate, no Brasil, para "reverter a perda de competitividade".


"O Brasil perdeu posições em conhecimento e competitividade em relação à Argentina e outros países da América Latina", diz o texto.


O problema foi debatido em um encontro promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em que, segundo o jornal, os empresários 'pediram políticas ativas' do governo: taxas de juros mais baixas, investimentos em inovação tecnológica e um marco regulatório mais simplificado.


De acordo com o diário argentino, empresários no encontro disseram que o país não pode pensar apenas em um plano nacional, e deve investir na regionalização econômica para garantir um desenvolvimento sustentável.


Efeito à distância


Preços de sucos de laranja já estão aumentando no Japão em decorrência da expansão das áreas de plantação de cana-de-açúcar para fabricação de biocombustível, afirma matéria do diário japonês Yomiuri Shimbun.


Segundo o jornal, grande parte do efeito inflacionário se explica pela transformação de áreas de cultivo no Brasil, produtor de 60% de toda a laranja mundial. A menor oferta de laranja eleva o seu preço.


A matéria diz ainda que o aumento dos sucos de laranja já ameaça criar um 'efeito dominó' sobre o preço de outros sucos de fruta industrializados.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Mangabeira retira texto do Impeachment

 Mangabeira retira da internet artigo do Impeachment

Comentário de GermanoCWB em 09.04.2012: O Mangabeira tirou sua página do ar... Porque será?

Por Josias de Souza

Sérgio Lima/Folha Imagem
Roberto Mangabeira Unger, escreve um artigo semanal na página 2 da Folha. Orgulhoso da própria obra, ele a conserva numa página na
internet. Ali, havia 280 textos. Agora, só há 279. Na bica de assumir a pasta de "Longo Prazo", criada só para abrigá-lo na Esplanada, o professor arrancou uma peça de sua vitrine virtual.

Quem vai á página de Mangabeira encontra o artigo que ele escreveu em 8/11/2005. Chama-se "Auto-transformação". O de 22/11/2005, foi batizado de "Verdade econômica sem mentira agradável". O de 15/11/2005, que deveria entremear os dois, sumiu. Por sorte, ainda temos os arquivos da Folha. Consultando-os, descobre-se por que o professor decidiu autocensurar-se.

O artigo "desaparecido" chama-se "Pôr fim ao governo Lula." Nele, Mangabeira prega o impeachment do novo chefe. Vão abaixo, em respeito à memória do ex-Mangabeira, os sete primeiros parágrafos do texto que o futuro ministro gostaria de não ter escrito:

"Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas.

Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.

Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.

Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.

Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.

Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou ... "

A íntegra encontra-se aqui, para os assinantes da Folha.

Escrito por Josias de Souza às 01h36

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Governo troca impostos por empregos

Apesar de idéia ser boa o Brasil continua seguindo sempre na contra-mão da História.


O ministro diz: "Quanto mais emprego, menos impostos", quando, no mundo todo já se aprendeu que "quanto menos impostos, mais empregos".


É lamentável.


GermanoCWB

Governo troca imposto por emprego
 


Agência Estado [18/04/2007] 

Brasília - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, revelou ontem que encomendou aos técnicos de sua pasta um estudo para criação de um mecanismo que reduza impostos para as empresas que mais gerarem empregos formais no País. Sem detalhar como essa idéia funcionaria na prática, Lupi disse que tudo ainda “não passa de uma tese” e admitiu que uma desoneração nesse sentido vai demorar porque envolve negociação de impostos federais, estaduais e municipais.


“Quanto mais empregos, menos impostos. Essa é a minha tese e nela coloquei o meu pessoal para trabalhar para depois submetermos à discussão interna do governo”, afirmou Lupi ao deixar, no final da manhã de ontem, a Câmara  dos Deputados. Ele afirmou que concorda com a proposta de redução de impostos sobre a folha de salários, defendida recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas disse que a sua “tese” de reduzir impostos para as empresas que gerarem empregos é mais ampla que isso. Ele, entretanto, não quis antecipar que tributos poderiam ser reduzidos.


Lupi participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público. A primeira bandeira da Frente é derrubar o projeto de lei complementar que propõe como limite anual dos gastos com salários dos servidores públicos o porcentual de 1,5% além das despesas do ano anterior. A limitação está sendo proposta para vigorar por dez anos e foi apresentada num dos projetos que integram as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado no dia 22 de janeiro.


Lupi tentou evitar o constrangimento de apoiar uma ação contrária às medidas do PAC, mas afirmou que considera “natural” e “legítimo” que haja mobilização dos servidores públicos por aumentos de salários. “É natural que qualquer empregado queira aumentos. Isso é legítimo. Mas, o projeto está em fase de discussão e recebimento de emendas e é o Congresso o lugar legítimo para se discutir mudanças”, afirmou.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Governo cobra co-participação de estados e municípios

O governo central cria programas assistenciais populistas (geradores de miséria), impõe aos estados e municípios novas despesas, cobra co-participação e se coloca como provedor dos recursos a serem utilizados nos programas.


O governo só não diz que o dinheiro que está sendo repassado é uma ínfima parcela do que foi retirado  antecipadamente do estado e que não retorna em benefícios, como é praxe.


Autonomia aos estados e municípios urgente!


GermanoCWB

Governo cobra ações do Estado e municípios



Andréa Bordinhão [17/04/2007]Co-participação na gestão e co-financiamento do Estado e dos municípios. Estas foram as duas reivindicações feitas pela secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, ontem durante a sessão da Assembléia Legislativa, em Curitiba. Segundo ela, muitas prefeituras não fazem a gestão correta das verbas destinadas à assistência social ou não têm pessoal qualificado para trabalhar nos programas. Ela afirmou também que as conferências de organizações ligadas à assistência social estipularam que os estados e municípios devem aplicar 5% do orçamento na área, o que não acontece na prática.

Márcia afirmou que os programas sociais no Paraná são muito importantes porque “um terço da população do Estado ganha menos de meio salário mínimo por mês”. Dos 399 municípios paranaenses, 371 têm baixa capacidade de arrecadação e de gestão. Por isso, a secretária-executiva pediu que os deputados colaborem, tanto em âmbito estadual quanto municipal, para que os funcionários que atuam nos programas sejam contemplados com planos de cargos e salários e sejam qualificados.

Márcia também cobrou gerenciamento mais eficiente e participação financeira do governo do Estado. “A Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social do Paraná tem que ter estrutura técnica para gestão e co-financiamento. Hoje, o Paraná investe menos de 2% do orçamento na área da assistência social.” Márcia contou que o Paraná já faz parte do “Pacto de Gestão”, que prevê essas contribuições, mas ainda não colocou as medidas em prática. A secretária-executiva defende que a verba para a assistência social seja legalmente vinculada ao orçamento, como acontece com a saúde e com a educação.



Para ajudar na distribuição mais adequada do dinheiro dos programas sociais do governo federal, a secretária-executiva explicou que os montantes não são mais carimbados, ou seja, cada prefeitura usa da forma que for mais adequada às suas necessidades. A previsão é que o Paraná receba este ano R$ 910 milhões do governo federal em verbas assistenciais, que entre programas de transferência de renda, de assistência social e de segurança alimentar, devem atingir cerca de 2,5 milhões de pessoas.

Redução de custos trabalhistas?

Opinião pessoal Federalista

Vamos lá, de novo.

As principais causas dos impasses: Centralismo e intervencionismo.

Fosse o Brasil uma República Federativa de fato, os estados e municípios teriam assegurada a sua autonomia para poder gerar e gerir seus próprios recursos e decidir, baseados em suas características regionais e conforme a vontade de seus cidadãos, quais as normas que definiriam as relações trabalhistas (e todas as outras).

O centralismo e intervencionismo tirânico sob o qual vivemos chega às raias do absurdo quando os governantes se arvoram no direito de ditar (lembra ditadura?) aos trabalhadores, cidadãos, regras, normas e leis que afetam o seu sagrado direito de escolha e livre arbítrio, fazendo dele não mais que um mero fantoche, e tirando dele uma substancial parte de seu salário sob a falsa e enganadora chancela de 'garantias' e impostos. Esquecem-se que salário não é renda e, por isso, não poderia ser tributado.

Como se não bastasse tomar compulsóriamente uma parte do salário do trabalhador, ainda impõe ao empresário, gerador de riquezas, desenvolvimento e empregos, uma elevada e desumana carga tributária sobre a folha de pagamento, além de lhe jogar nos ombros os ônus de uma justiça trabalhista comunista, corrupta e retrógrada.

'Direitos' do trabalhador cidadão é, primeiro, ter emprego. E é ter o dinheiro de seu trabalho no bolso para sustentar a sua família, fazer seu plano de aposentadoria, reformar a sua casa e melhorar de vida. Mas para isso ele ganhar melhor, o que só será possível quando o empresário puder pagar melhor.

Para o empresário poder pagar melhor e dar mais empregos a sua empresa precisa crescer. E não tem como crescer e dar emprego se o empresário é massacrado por mais de 100% de impostos sobre a folha de pagamento. Isso é ser tratado como se fosse um criminoso por ter dado empregos e tentado gerar alguma riqueza. E nem vamos falar dos casos em que ele é levado para a justiça do trabalho (assim mesmo, com minúsculas), que aceita qualquer mentira do coitadinho do funcionário como verdade, e desconsidera qualquer defesa do empresário, esse criminoso, que é sempre condenado a pagar enormes indenizações e multas, crucificado por dar emprego.

Por isso vemos, todos os dias, empresas brasileiras seculares sendo vendidas para grupos estrangeiros. Ninguém aguenta tanta estupidez e o melhor mesmo é se desfazer desse abacaxi, se agarrar na grana e passar a viver bem, livre dos governos incompetentes, dos impostos escorchantes, das ações trabalhistas injustas e dos empregados que se aproveitam disso. E o ideal de ajudar o Brasil a crescer e prosperar? Que se dane!

A CLT é, sem dúvida, o maior impedimento para a geração de empregos no país. Está caduca e deve ser rasgada e jogada no lixo.

As relações trabalhistas devem ser tratadas como um contrato civil entre duas partes (como de fato é) e seus desdobramentos resolvidos pela justiça comum, nos tribunais locais (olha aí a questão da autonomia local de novo).

A 'função social' das empresas limita-se a gerar riquezas e empregos, pagando salários aos trabalhadores. E para gerar riquezas e pagar salários dignos as empresas devem ser isentas de impostos em toda a sua cadeia produtiva, inclusive folha de pagamento.

Os impostos serão cobrados no consumo, ou seja, quando a produção da empresa for vendida para o consumidor. E com esse imposto o governo faz a 'função social', que é obrigação e razão de existir do governo central.

17.04.07

GermanoCWB

Agora leia a matéria do jornal O Estado do Paraná.

Comissão propõe mudanças para reduzir custos trabalhistas


Agência Estado [16/04/2007]


Brasília - Congresso e governo abriram discussão sobre um modelo alternativo de relações de trabalho que permita redução dos custos trabalhistas e crie perspectivas de ampliação de empregos no País. Na quarta-feira, o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, Nelson Marquezelli (PTB-SP), entregou ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, um esboço de proposta que cria um sistema optativo, em que os trabalhadores receberiam pagamento por tarefa executada, ganhando o salário bruto, sem descontos de qualquer espécie, como o previdenciário, por meio de cartão magnético. A proposta, porém, não extinguiria o atual regime de trabalho feito pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma vez que o modelo alternativo funcionaria como optativo.

Na próxima quarta-feira, Lupi irá à Comissão do Trabalho para se encontrar com os parlamentares pela primeira vez desde a posse no cargo, há cerca de 15 dias. Ele é um dos ministros que se manifestaram contra a proposta, vista como corte de conquistas históricas. “Não vou defender reformas que tiram os direitos do trabalhador”, avisou.

A idéia é abrir esse debate. “Na conversa que tivemos, o ministro foi receptivo a discutir o assunto. Porque, já que existe essa resistência geral a mexer com a CLT, inclusive do próprio ministro, a idéia é apresentar um modelo alternativo de caráter optativo”, afirma Marquezelli. “O modelo atual das relações trabalhistas é obsoleto, ultrapassado e não ajuda em nada na geração de empregos.”

domingo, 15 de abril de 2007

Apagão aéreo 3 - O que a imprensa não conta

Leia também os outros posts relacionados:

- Apagão Aéreo

- Apagão Aéreo 2 - Ele não sabia de nada



Um outro lado dos problemas dos aeroportos

"O país está indignado com o que acontece nos aeroportos. Mas nem tudo está sendo dito à população e, talvez, nem à própria imprensa." (Alamar Régis Carvalho)

Solidariedade aos controladores de vôo

Não é bem o tipo de assunto que eu gosto de abordar, todavia, considerando que a omissão, ao meu ver, é também um grande crime, não posso deixar de falar sobre uma coisa que conheço bem, já que durante algum tempo eu também
vivi no sistema de Proteção ao Vôo, na Aeronáutica, constituindo-me num tremendo criador de casos (peguei muita cadeia por causa disto), já que, desde criança, nunca fui de dizer amém para os absurdos, as intolerâncias, os abusos e as irresponsabilidades, partissem elas de pessoas, instituições ou até mesmo de uma Força Armada.


Formei-me em rádio telegrafista, na Escola de Especialistas de Aeronáutica, e ao deparar-me com o vergonhoso equipamento que era dado a mim e aos demais colegas para trabalharmos na estação rádio do aeroporto internacional de
Belém, rebelei-me contra aquilo, disse que não desempenharia a minha especialidade naquelas condições - eu era abusado, com apenas 20 anos de idade, e como era - ao mesmo tempo em que via os demais colegas, coitados, se sujeitarem a todo tipo de humilhação e desrespeito humano, situação aquela que levava muitos a terem sérios problemas auditivos além de outros que os levavam ao hospital da Aeronáutica.


Os colegas mais velhos, preocupadíssimos comigo, alertavam-me sempre:
- "Tu és doido, cara, em querer peitar os homens aqui dentro? Não te destes conta ainda de que estás no meio militar e que deve, aqui, apenas obedecer ordens, caladinho, humildemente, sem poder dizeres p. nenhuma?"
Jamais eu aceitaria uma situação daquela. Ficar calado diante de humilhações? Jamais!!!!
Cadeia atrás de cadeia, mas não abri mão da minha decisão.


Depois que constatei e vergonha que eram os equipamentos de rádio telegrafia, nunca mais quis operar com aquele tipo de coisa e não teve quem me fizesse voltar atrás. Nem o canalha do Coronel José Bernardo Santarém, o maior desafeto que eu tive dentro da Força Aérea, um covarde de marca maior, (com todo o processo de tortura que ele submetera àquele garoto, então com 22 a 23 anos)
conseguiu fazer-me desistir da minha decisão. Determinei que trabalharia naquele aeroporto somente com telex e teletipo, mas com telegrafia, nunca mais. E assim fiz, apesar das cadeias.


Bom, mas o caso aqui não é contar a minha história, é falar em solidariedade aos controladores de vôo deste País, mostrando às pessoas alguns aspectos que a grande imprensa não está mostrando, não sei se por omissão, por
desconhecimento das verdades verdadeiras dos fatos ou porque os colegas atuais estão ameaçados de alguma coisa, caso abram a boca, já que são militares.


Sei que é muito chato para qualquer cidadão chegar a um aeroporto, pessoas até com pouco dinheiro, e não conseguir embarcar, tendo que ficar preso no aeroporto e até obrigado a ir para hotel, com mais despesas e, em alguns casos, perdendo compromissos inadiáveis. A televisão está mostrando isto a toda hora. Não é fácil.

As pessoas se revoltam, com justa razão.
Descontrolar-se e partir para agressão ao funcionário da companhia aérea, é insanidade e não tem justificativa, porque ele não tem culpa nenhuma. Todavia, há um aspecto aí que todos devemos levar em consideração: "A corda quebra sempre do lado mais fraco", é um velho ditado. E a tendência, diante disto, é colocarem a culpa por tudo, como já estão colocando, em cima daqueles mais fracos e SEM DIREITO A DEFESA, que são os controladores de vôo sargentos da Aeronáutica.


Do mesmo jeito que aconteceu, diante do trágico acidente com o avião da Gol, quando a coisa terminou em "pizza" para os pilotos americanos, já que não era conveniente criarem problemas diplomáticos com os Estados Unidos; isentos também foram o poderoso infraero e a companhia aérea, restaria quem? O coitado do controlador de vôo.

Você, meu amigo leitor ou leitora, não tem idéia de como vivem esses profissionais e é sobre isto que quero falar.

Tente ficar, você, no lugar deles, diante desta realidade:
Enquanto nos Estados Unidos um controlador de vôo ganha de 4 a 5 mil dólares por mês, para trabalhar 4 horas, aqui no Brasil os nossos ganham apenas de 1.400 a 1.500 reais, para trabalharem 6 horas. O serviço é o mesmo, a enorme
responsabilidade pela segurança das vidas humanas é a mesma, os aviões que trafegam pelos ares são os mesmos.
Você tem idéia de quanto ganha um ascensorista de elevador na Câmara Municipal de São Paulo? Não vou falar, para evitar maiores indignações.


Qualquer trabalhador no Brasil, nos dia de hoje, vive cheio de direitos, pode fazer greve à vontade, basta ser liderado por um indivíduo qualquer que resolve querer aparecer com pretensões políticas, atrás de um sindicato, que pára tudo mesmo, e ninguém fala nada. Muito pelo contrário, ainda tem amparo do Governo, do Ministério e da "justiça" do trabalho.

No Brasil, se um vagabundo qualquer resolve roubar uma empresa, em suas diversas modalidades de roubos, obviamente vai fazer tudo muito bem planejado, sem deixar rastros, porque ele não é besta, (é o que mais acontece). Depois que a empresa descobre, mesmo sem poder ter as provas documentadas, resolve demiti-lo.
O que faz ele?
Procura um advogado, tão pilantra como ele, sem qualquer compromisso com honestidade, dignidade e a ética tão recomendada pela OAB, entra na "justiça" do trabalho dizendo-se vítima, escreve nos autos do processo o que quer, inventa horários extraordinários trabalhados que nunca existiram e previne-se a extorquir o máximo que puder, na base do "se colar, colou", e, caso a "justiça" comprove que ele não tem direito a um ou mais itens pleiteados malandramente, nada acontece com ele e muito menos com o seu safado advogado.
Ainda que o empresário tenha registrado queixa na polícia contra o ladrão, e apresenta o boletim de ocorrência na audiência trabalhista, o advogado diz para o juiz, fazendo constar nos autos, que se trata de uma perseguição da
empresa ao "pobre, coitadinho e indefeso trabalhador brasileiro", e o juiz vai na onda. Na "justiça" do trabalho nunca um canalha deste vai para a cadeia, mas se um empresário, em desespero diante da situação, perde o
controle e fala mais alto, imediatamente é ameaçado de cadeia pelo mesmo juiz.


É assim a coisa no Brasil.

Gente, o controlador de vôo não pode nem de longe pensar em ter tantos direitos e tanta proteção assim, muito menos ter uma justiça altamente paternalista a seu favor. Aliás, tanto não, ele não tem direito nenhum.
Pra começar, não pode fazer greves. Se um pobre dum sargento desse resolve ter a audácia de liderar o grupo, mesmo por motivos justos e agindo com honestidade, com certeza ele vai para a CADEIA imediatamente e lá ficará
incomunicável.
É isto mesmo, não estou exagerando em nada.


Chegadas atrasadas ou faltas ao trabalho no sistema trabalhista comum é tratado da forma mais natural possível e o máximo que acontece é um descontozinho bobo no salário ao final do mês.
Para um controlador de vôo, chegar atrasado ou faltar ao trabalho pode traduzir-se em cadeia.


No sistema trabalhista comum, qualquer um pode deixar de ir trabalhar, mesmo por preguiça, sem qualquer preocupação. Basta depois procurar um médico comum, já que no meio médico existem pilantras também, como em qualquer outro, pega um atestado fajuta, chega na empresa com a maior cara de pau, no dia seguinte, diz que estava doente e a empresa tem que justificar a falta, queira ou não queira.
O controlador de vôo jamais pode fazer isto, porque o único atestado médico que vale é do Hospital da Aeronáutica que, certamente, não vai atestar doenças que não existem.


Tem outro detalhe que precisa ser dito:
Na empresa comum existe um dono, seus diretores e seus gerentes que não podem dizer o que querem a você.
No meio militar, de repente, aparece um tenente qualquer, recém formado, sem experiência nenhuma, transferido para o setor do controle de vôo e já se transforma em chefe de um monte de sargentos com anos e anos de serviços, muitos com idade de serem seus pais, e se acha no direito de, porque é chefe dar ordens, impor, modificar métodos de trabalhos e processos de operação.
Quando se trata de um tenente equilibrado, sensato e coerente - tem muitos assim, não resta dúvida - tudo bem, porque esse tem consciência de que os seus conhecimentos não podem ser comparados com a experiência daqueles
profissionais que vivem aquilo durante anos. Até cresce, aliado aos seus subordinados.
Mas quando se trata de um imbecil, que também existe demais, a coisa complica e constitui-se em problema sério.
Aquele idiota que, por ser apenas superior hierárquico dos profissionais, pensa que é superior em tudo, inclusive em inteligência, competência, experiência etc. Por estar na condição de oficial, sofre da mesma doença que alguns advogados panacas sofrem quando passam num concurso para juiz, ou seja, a doença da "juizite", que tem necessidade doentia de fazer todo mundo entender que ele pode prender, ostentando a sua "autoridade". A Psicanálise tem claras explicações pra isto.


Este é um dos grandes problemas que os controladores de vôo enfrentam.
Por exemplo: Quando um administrador de empresa, inexperiente, sai da faculdade e entra numa empresa comum, onde existem profissionais experientes embora na maioria das vezes não formados, ele não tem como se fazer de besta e ir humilhando, exigindo, mandando calar a boca, porque sabe o que lhe pode acontecer, por parte dos outros funcionários.
Mas no meio militar não; existe até uma máxima que diz que "superior" nunca erra, o que é um absurdo, mas todo mundo tem que admitir que isto seja verdade. Daí o imbecil fica a vontade para descarregar as suas frustrações, faz ameaças de punição e muitas vezes prende mesmo, por bobagens e coisas altamente irrelevantes. Não tem como um sargento recorrer a um coronel ou brigadeiro para reclamar de abusos praticados por tenentes.
Estamos diante de um exemplo deste, quando os controladores são impedidos de se reunirem em audiência com o Ministro da Defesa do País. Até associações de garis, se quiserem, serão recebidas pelo Presidente da República, com sorrisos, fotografias, cobertura da imprensa, boné na cabeça e tudo; mas controladores de vôo não podem ter acesso a um Ministro. Está certo isto?


A Constituição Brasileira reza que todo cidadão brasileiro tem o direito de defesa, mas a mesma Constituição tira este direito dos militares, que podem ser humilhados e sacaneados a vontade, sem direito a dar um pio. Não podem
constituir advogados, não têm direitos a sindicatos, não podem se reunir em grupos para reivindicar coisa alguma... enfim, não podem nada e só têm deveres, deveres e deveres.


Ponha-se no lugar dos controladores de vôo e me diga, sinceramente e sem demagogia, se você aceitaria trabalhar numa situação desta, com uma gigantesca responsabilidade nas costas, sem direito a nada e sujeito a ser responsabilizado por situações graves e trágicas, como foi o caso do acidente com o avião da Gol. É mole?

Estes profissionais são gente também! Eles têm esposas e filhos, responsabilidades com educação de filhos, fazem supermercados, farmácias, têm problemas de saúde, carências e necessidades afetivas normais como qualquer um de nós.

Gente, existe um equipamento nos aeroportos do Brasil, há muito tempo cheio de problemas, que dá o posicionamento errado do avião no céu, que não se corrige nunca, ninguém toma providência nenhuma, há muito tempo. Por exemplo: ele diz que o avião está sobrevoando a região de Campinas, quando o mesmo já entrou no espaço da Grande São Paulo. Isto é gravíssimo e só não provocou mais tragédias por talvez Deus seja brasileiro mesmo.

O pior de tudo é que, se acontecer, não será o tenentezinho o responsável não e muito menos o coronel; serão eles, os controladores de vôo!!!
É por isto que eles estão gritando por socorro.


É preciso que o Brasil saiba destas coisas, para que o insensato que mandou prender esses profissionais em Brasília e vive a pressioná-los à obediência irracional se sinta também pressionado pela imprensa e pela opinião pública,
por esta barbárie que está cometendo.


Felizmente hoje vivemos uma época em que o meio militar é possuidor de um percentual de coerência, sensibilidade, bom senso e respeito ao ser humano bem maior que o que existia algumas décadas atrás. Por isto torna-se mais fácil resolver este problema, coibindo a ação dos torturadores imbecis de
farda, já que estes nos dias atuais são minoria, tenho certeza.


O Brasil não pode ficar calado, diante de uma injustiça dessa, sob pena da coisa se agravar muito mais.
Imagine se esses profissionais resolverem, em massa, pedirem baixa da FAB, o que aconteceria? E não duvidemos disso acontecer, porque nos dias atuais não é todo mundo que suporta humilhação, como havia no tempo da inquisição. São
homens altamente preparados, falam inglês, responsáveis, disciplinados e atentos por conta da profissão, que não teriam muita dificuldade em conseguir melhores colocações no meio civil, em condições humanas incomparavelmente melhores. Neste universo de sargentos há médicos, engenheiros, advogados, economistas etc...


A desmilitarização do setor é fundamental e indispensável. Eles têm razão e não pode ser de outra maneira.

Detalhe: Se eu ainda tivesse na Aeronáutica, poderia ser preso por ter escrito isto.
Pressionemos nós, a sociedade e a imprensa brasileira, para que o bom senso prevaleça em relação a este quadro.


Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas e Escritor
alamar@redevisao.net

Ensino de 9 anos gera polêmica

Opinião pessoal Federalista

Bato sempre na mesma tecla e continuo insistindo que os maiores causadores desses impasses são o centralismo e o intervencionismo.

Leis são criadas, determinações e procedimentos são impostos e prazos para implantação e adaptação são cobrados por teóricos e burocratas encastelados em seus gabinetes e, geralmente alheios à realidade do dia-a-dia das instituições que suas determinações afetarão.

Dos 400 municípios paranaenses, 391 não tem condições de atender a mais esse delírio governamental, que impõe a lei mas não provê salas de aula, nem professores e nem material didático para atender a esse novo contingente de alunos mágicamente criado por uma canetada, e que farão parte das maravilhosas estatísticas usadas nas próximas eleições.

Fosse o Brasil uma República Federativa de fato e os impostos municipais fossem usados no próprio município, as escolas seriam geridas pelas comunidades em que atuam e administradas pelos educadores, e esses sim, conhecedores da realidade da sua comunidade e da competência e desenvolvimento de seus alunos, decidiriam em que série a criança poderia ser matriculada, além de serem esses administradores e a comunidade local responsáveis pelo provimento de salas e professores. Pelo menos os pais, pagadores de impostos, teriam a quem recorrer, teriam de quem cobrar e de quem reclamar.

As imposições centralizadas são, via de regra, prejudiciais para a maioria da população já que não reconhecem as diferentes características regionais de cultura e nem de desenvolvimento local, tendendo sempre ao socialismo que nivela tudo por baixo, ou seja: neste caso, uma criança com potencial elevado que foi bem educado no seio de sua família terá que, obrigatóriamente, ser puxado para baixo e terá seu potencial aniquilado em infindáveis 'aulas' de picar e rabiscar papel, só porque não completou 6 anos no prazo estipulado pelo 'caneteador' de plantão, ao invés de ter sua genialidade desenvolvida e aproveitada para, quem sabe, termos nosso primeiro Prêmio Nobel. (É verdade! Vergonhosamente não temos nenhum desses prêmios, mas, com notícias como essa abaixo, podemos entender porque.)

Neste ponto chega-se a mais um elemento totalmente esquecido e desconsiderado pelo sistema centralizador e interventor: a família. Simplesmente não se leva em conta a existência desse ente formador da sociedade e célula-mater de qualquer comunidade, chegando-se ao cúmulo de dizer, como na matéria abaixo, que é na escola que a criança 'deve brincar, desenvolver a linguagem e amadurecer sentimentos'. Parece-me que isso acontece em casa, devendo ser a escola um apêndice que agrega novos valores àqueles adquiridos no lar, e não o contrário.

GermanoCWB

Leia agora a matéria extraída do jornal O Estado do Paraná

Ensino de nove anos gera polêmica

Mara Andrich [15/04/2007]


Fábio Alexandre
ensinonoveanos


O impasse gerado nas escolas a respeito do ensino fundamental de nove anos está longe de ter fim. Um dos maiores problemas é que, por conta da dificuldade de adaptação, escolas públicas de pelo menos 391 municípios do Paraná não estão cumprindo a nova lei, que prevê que todas as crianças que completassem seis anos até o dia 3 de março de 2007 deveriam ser matriculadas no primeiro ano do ensino de 9 anos.


De acordo com o Conselho Estadual de Educação, as principais reclamações são que não há professores e nem salas de aula, tão pouco conteúdos para adaptação tão rápida. A lei prevê ainda que os estudantes que completassem seis anos depois de 3 de março deveriam ir ao jardim três somente no ano que vem.


A decisão das escolas é amparada em uma liminar conseguida na Justiça pelo Ministério Público Estadual (MP) no dia 7 de março desse ano.


A medida autorizou que as escolas do Paraná matriculassem os alunos que fizessem seis anos de idade no decorrer do ano letivo na primeira série, independente do mês em que completem essa idade. Exemplificando, com este corte etário, uma criança que completasse seis anos no dia 10 de março, por exemplo, não teria que fazer novamente o Jardim Três por conta de apenas oito dias. Porém, o Conselho Estadual de Educação discorda. O presidente do conselho, Romeu de Miranda, afirmou que não há como ignorar a lei. “Estou convicto de que a lei é clara: a criança deve entrar no primeiro ano com seis anos. Eu não entendo porque só aqui no Paraná é que está ocorrendo essa outra interpretação”, reclama. Miranda lembrou ainda que não é só a questão do corte etário que preocupa. Ele explicou que a freqüência das crianças nas escolas também pode ser prejudicada com a polêmica. “Se elas entrarem na escola em abril, por exemplo, não conseguirão ter os 75% de presença até o final do ano letivo”, criticou.


Em meio à polêmica, a Secretaria Municipal de Educação informou que prefere aguardar as decisões da Justiça, do MP e do conselho para se manifestar sobre o assunto. Já a chefe do Departamento de Infra-Estrutura da Secretaria Estadual de Educação (Seed), Ana Lúcia Albuquerque, confirmou as reclamações dos municípios, porém informou que todos eles estão sendo orientados a se manifestar na Justiça. “A nossa expectativa é que o Conselho Estadual encontre a melhor maneira de atender a todos e que os juízes tomem decisões levando em conta o que é melhor para os estudantes”, ressaltou.


No próximo dia 18, o Conselho Nacional de Educação vai entrar na discussão do Paraná sobre a dificuldade de adaptação desses 391 municípios. O conselho já entrou com pedido da suspensão da liminar conseguida pela MP na 1.ª Vara da Fazenda Pública e também aguarda decisão sobre agravo de instrumento, protocolado na mesma vara.


Educadores vêem mudança com bons olhos


O ensino fundamental de nove anos é visto com bons olhos pelos educadores, porém, eles afirmam que a adaptação, principalmente no que diz respeito aos novos conteúdos, deve ser avaliada de maneira especial.


A pedagoga especialista em Psicopedagogia e mestre em Educação, Maria Silvia Bacila Winkeler, avaliou que o ensino de nove anos é importante na medida em que mantém as crianças mais tempo na escola. Porém, ela ressaltou que a única desvantagem que pode haver é o período de transição, aquele em que se avalia em qual nível a criança deverá ser matriculada e também no qual os educadores vão entender o que a nova lei propõe.


Para a especialista, a criança deve ser o foco principal em todo esse processo. “O caminho mais correto é pensar na proposta que você vai fazer para essa criança, tenho que ver que ela não tem sete anos, tem seis, e que isso influencia muito na sua vida”, avaliou.


Para a secretária de Assuntos Educacionais da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná), Marlei Fernandes, a lei que prevê o ensino de nove anos é “um avanço para os alunos”. Na sua avaliação, não há desvantagens na nova normatização. Porém, Marlei compartilha da opinião de Maria Silvia, e avalia que discutir o currículo é fundamental.


“Entendemos que o ensino fundamental é na idade da infância, quando ela está desenvolvendo o processo de alfabetização. Mas o mais importante é você estar mais tempo na escola”, complementou. A APP prefere não se posicionar a respeito do corte etário, principal motivo das brigas judiciais.


Parecer da Justiça beneficia escolas particulares


Além da vitória do Ministério Público Estadual (MP), 30 escolas particulares de Curitiba também conseguiram parecer favorável na Justiça com relação ao ensino de nove anos. As escolas exigiam que elas mesmas tivessem autonomia em transferir o aluno, independente da idade, para determinado nível.


O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, José Caron Júnior, disse que a categoria concorda com o ensino de nove anos na medida em que ele mantém o aluno mais tempo em sala de aula, porém, não aceita que seja imposta a idade de matrícula. “Não são teóricos que têm que decidir isso, são os educadores que acompanham este aluno”, critica.


Os professores das escolas particulares também criticam que o conteúdo do jardim três seja diferente da chamada primeira série do novo ensino.


Segundo Caron, a categoria quer que o conteúdo do jardim três seja o mesmo daquele do primeiro ano. Já na avaliação do presidente do Conselho Estadual de Educação, Romeu de Miranda, isso seria um contra-senso. “O jardim da infância serve para a criança brincar, amadurecer sua linguagem e desenvolver seus sentimentos. O conteúdo é outra coisa diferente, se refere à matemática, história, etc”, argumenta.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Novos crimes do MST

Sem terra muda o foco para o agronegócio


Agência Estado [09/04/2007]


São Paulo - O Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra (MST) decidiu intensificar o ataque às grandes empresas do agronegócio. Especialmente as de capital internacional -também chamadas de transnacionais. Um sinal claro disso foi dado no início do mês passado, quando, em associação com a Via Campesina, o movimento realizou protestos contra essas empresas em vários estados. Estuda-se agora a possibilidade de dedicar o mês inteiro a novas mobilizações.


Em março, no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, ativistas ligados ao MST e à Via Campesina ocuparam terras de reflorestamento de três empresas do setor de celulose - Aracruz, Votorantim e Stora Enso; no Paraná, fizeram protestos diante da Nortox, fabricante de herbicidas; em São Paulo, invadiram áreas da Usina Cevasa, produtora de álcool, que teve parte de seu capital vendido há pouco para a Cargill, gigante mundial do agronegócio, e, no Ceará, interditaram a chamada rodovia do agronegócio, usada por exportadoras de frutas.
Transnacionais


Esta inflexão do MST deve ser acentuada daqui para a frente, em decorrência dos problemas que, segundo seus líderes, são causados pelas transnacionais. Entre outras coisas, estariam impondo modelo de monocultura ao País, com ênfase em produtos para exportação; promovendo novo processo de concentração de terras, com riscos para a agricultura familiar; causando desemprego e agredindo o meio ambiente, devido ao desmatamento e ao uso intensivo de agrotóxicos. Também são acusadas de controlar a produção de insumos ao redor do mundo e impor preços aos produtos agrícolas.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Por que o Brasil não cresce como a China e a Índia?

Por que o Brasil não cresce como a China e a Índia?

Sete ganhadores do Prêmio Nobel de Economia dizem, em entrevistas exclusivas a VEJA, quais são as amarras que impedem o país de crescer como os gigantes asiáticos

Em seus depoimentos eles se limitam a apontar as medidas, atitudes e reformas que ajudaram outros países em estágio de desenvolvimento semelhante ao brasileiro a acelerar a modernização de sua economia e aumentar dramaticamente o padrão de bem-estar de seus habitantes. Em comum, os depoimentos têm a ênfase em apontar o custo econômico do populismo assistencialista e os prejuízos causados pelo que um deles define como "capitalismo de compadrio". Essa distorção protege grupos econômicos ineficientes e impede a abertura e o florescimento de forças inovadoras na economia. Como era de esperar, o tamanho do Estado e o excesso de burocracia e de regulamentação também foram apontados como entraves graves ao desenvolvimento.

EDWARD PRESCOTTNacionalidade:americanaIdade: 66 anos Universidade do ArizonaNobel de 2004Feito:comprovou a eficácia de políticas econômicas coerentes a longo prazoA chave é criar poupança • "O Brasil conseguirá se aproximar do padrão de vida dos países desenvolvidos somente se os brasileiros estiverem convencidos de que boas políticas serão perseguidas ao longo de vários e vários anos. Não basta implementar as medidas corretas por um curto período. A única esperança que vislumbro é que o Brasil se descentralize. Tenho algumas sugestões. Livrem-se da centralização de poder em Brasília e reduzam drasticamente os impostos federais. Deixem que os estados da federação ganhem autonomia e compitam entre si por investimentos. Se algum deles quebrar, coloquem-no num programa de intervenção, como foi feito com a cidade de Nova York nos anos 70.

Ainda que sensibilidades possam se ouriçar, é preciso reconhecer que regimes democráticos, como o brasileiro, não são precondições para o sucesso econômico. É fundamental que o Brasil estimule a criação de uma sociedade privada. Esse é o motor de qualquer ciclo de expansão sustentável. Já o combustível é a poupança. Nenhum país cresce sem um sistema que induza a formação de poupança.Em Cingapura, o crescimento veio após a introdução de poupanças compulsórias. É condição vital, no entanto, que os recursos sejam bem geridos. Eles não podem ser desperdiçados nas mãos de governos incompetentes. Instituam um sistema de poupança crível e, em 25 anos, o Brasil crescerá rapidamente. Há sempre o risco de o governo expropriar esses recursos, por isso é crucial dar às pessoas a chance de escolher onde pôr o seu dinheiro.

GARY BECKERNacionalidade: americanaIdade: 76 anos Universidade de ChicagoNobel de 1992Feito: deu nobreza à análise econômica dos fenômenos do comportamento humanoCapitalismo de compadrio Dos anos 1940 até meados dos anos 1980, os chineses e os indianos praticamente não progrediram. Sob o peso de economias centralizadas e estatais – comunismo na China e um socialismo inespecífico na Índia –, chineses e indianos viram seus países estagnar. Os dois governos detinham controle total sobre os investimentos. Já a América Latina é um mistério. Há o caso de sucesso do Chile, cujo modelo é similar (até mais extremo) ao chinês e ao indiano – abertura da economia, redução do estatismo e da burocracia, mercado de trabalho mais flexível. Graças a esse modelo, o Chile vem tendo sucesso nos últimos 25 anos. Por que o resto da América Latina não produz os mesmos resultados? A minha opinião é que o Brasil ainda resiste a fazer as reformas executadas pelo Chile. O México, depois dos últimos ajustes, avançou bastante. Sobrou ainda muita burocracia e regulamentação, em especial no mercado de trabalho.Há ainda o que eu chamaria de "capitalismo de compadres" – algumas famílias ou setores privilegiados conseguem favores e empréstimos do governo. No caso mexicano, no setor televisivo e nas telecomunicações. Suspeito que isso também seja verdadeiro em outros países da América Latina, como o Brasil. Eu diria que esse compadrio é uma das principais causas do atraso econômico da região."

JAMES HECKMANNacionalidade:americanaIdade: 62 anos Universidade de ChicagoNobel de 2000Feito:criou métodos precisos de avaliação do sucesso de programas sociais, de educação e de leis trabalhistas

O peso da burocracia e da educação ineficiente "O maior obstáculo ao crescimento brasileiro é o excesso de burocracia e regulamentações. Qualquer observador externo percebe isso. Essa característica representa um custo enorme para quem queira fazer negócios.Faltam incentivos para que as pessoas possam ser mais competitivas. É o que a China e a Índia estão fazendo. No Brasil esses estímulos são muito tímidos, predomina um pensamento que lembra o mercantilismo, de viver em um mundo de castas e protegê-lo do jeito que ele é. Não há uma economia competitiva e flexível, na qual as pessoas abram empresas, fechem empresas, contratem bons funcionários, demitam maus funcionários, contratem bons professores, demitam os professores ruins.É uma influência negativa que o país teve dos europeus, de todas aquelas velhas instituições de Portugal e da Espanha. A América Latina tem mais regulamentações do que a Europa. O custo de contratar um funcionário é muito elevado no Brasil, e isso desacelera a economia.Se você tentar evitar que o desemprego aumente nos períodos ruins, o emprego também não vai melhorar muito quando as coisas forem bem. Essa inflexibilidade amarra a economia. A questão política também afeta o avanço brasileiro. As reformas chilenas demoraram quase dez anos para dar resultados.Isso soa como pregar ao vento na América Latina, se olharmos para o que está acontecendo na Bolívia ou na Venezuela. Há uma onda contrária às reformas na região. As boas lições nunca foram aprendidas de verdade. Para piorar, os políticos costumam ter uma visão de curto prazo. Querem eliminar a desigualdade, e como fazem isso? Dando dinheiro para os pobres. Essa política pode até reduzir a desigualdade no curto prazo, mas investir nas crianças e na qualidade da escola criaria bases mais sólidas para o aumento na qualidade de vida.

DOUGLASS NORTHNacionalidade:americanaIdade: 86 anos
Universidade Washington, em Saint Louis
Nobel de 1993Feito: foi pioneiro no estudo do papel virtuoso das instituições na diminuição dos custos de transação que emperram o desenvolvimento
O assalto de grupos de interesses "Assim como na maioria dos países do Terceiro Mundo, há no Brasil uma aliança muito próxima entre interesses políticos e econômicos. Um grupo de privilegiados alimenta o outro, e vice-versa. O resultado é uma barreira para a competição e para mudanças institucionais inovadoras e criativas. A meu ver, é isso que impede o Brasil de se tornar um país de alta renda.Trata-se de uma questão de teoria política, não econômica. Sempre que um determinado grupo controla o sistema político, ele o usa para seu próprio benefício, em detrimento dos interesses da população como um todo. O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do Estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência.

ROBERT SOLOWNacionalidade: americanaIdade: 82 anos MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)Nobel de 1987Feito: criou o modelo neoclássico de crescimento econômico com ênfase no progresso tecnológicoO desafio é a estabilidade Por essa razão, o desafio do Brasil não é imitar a China, mas manter a estabilidade. Não imagino que outros países possam imitar o modelo chinês.

ROBERT MUNDELLNacionalidade: canadenseIdade: 74 anos
U
niversidade Colúmbia
Nobel de 1999Feito: estudos revolucionários sobre as políticas fiscais e de câmbio em economias abertas que levaram, entre outras coisas, à criação do euro
Protecionismo sufocante "O Brasil abraçou uma política de desenvolvimento protecionista num momento em que o restante do mundo estava se abrindo internacionalmente.Com as inovações avançando num ritmo vertiginoso, é crucial aceitar essa interdependência mundial e desenvolver as vantagens comparativas naturais de um país. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo, ficou em 81º lugar em um ranking de abertura econômica elaborado pela Heritage Foundation, com informações de 157 países (o mais aberto é Hong Kong). A característica comum a todos os países fechados, como o Brasil, é que eles têm baixa renda per capita. Não há como ter crescimento sem empresários, sem pessoas que iniciem novos negócios. Vários países latino-americanos colocam barreiras ao surgimento de novas empresas. Enquanto nos Estados Unidos uma companhia pode ser constituída em poucas horas, na América Latina isso pode levar meses. Países menos burocráticos, como os Estados Unidos e a China, conseguem atrair o investimento estrangeiro direto, fundamental para o crescimento porque traz consigo capital, tecnologia e mercados.


O sistema tributário brasileiro também desestimula os investimentos. Por que lidar com quase 100 moedas na região? O Brasil deveria liderar o Mercosul na direção de uma maior, e não menor, abertura comercial. Além disso, deveria defender a existência de uma moeda única da América Latina.

PAUL SAMUELSONNacionalidade:americanaIdade: 91 anos
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)
Nobel de 1970Feito:lançou as bases da moderna análise econômica nas teorias de crescimento, consumo, comércio internacional e equilíbrio de preços e saláriosO preço do populismo político A história de nosso tempo é que você pode até não gostar do mercado, mas não apareceu nenhum modelo alternativo capaz de organizar grandes populações. O padrão político de democracias populistas parece ter sido um fator que inibiu o desenvolvimento. Por que a Argentina e talvez até mesmo o Brasil, onde não restavam muitos nativos indígenas e havia muitos imigrantes europeus, não avançaram como os países asiáticos? Eu buscaria explicações na política. No caso brasileiro, há também questões sociológicas. Vocês herdaram do catolicismo português uma sociedade sem tradições igualitárias. Minha única viagem à América Latina foi ao Peru, em 1980. O país havia acabado de se livrar de uma ditadura, emigrantes estavam retornando e parecia que haveria progresso. Mas logo depois houve disputas internas, tensões, e as esperanças nunca se materializaram. Ciclos de esperança e decepção, como esses, tornaram-se rotina na região. O Chile talvez seja uma exceção."

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